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Tecnologias trazem o mundo para a escola – por Renata Chamarelli

Tecnologias trazem o mundo para a escola

18.07.2008

Por Renata Chamarelli

Professora associada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maria

Elizabeth Biaconcini Almeida, mais conhecida como Beth Almeida, se dedica a

estudar a aplicação de novas tecnologias na educação, desde 1990. Na época,

ajudou a estruturar o núcleo de informática da Universidade Federal de Alagoas.

Com mestrado e doutorado na área, atua como docente no Programa de Pós-

Graduação em Educação pesquisando Novas Tecnologias em Educação.

Em entrevista ao Jornal do Professor, a especialista ressaltou a importância da

capacitação dos educadores para a modernização da sala de aula. Segundo ela, as

ferramentas de produção colaborativa já são as mais utilizadas e o futuro das

escolas será pautado por uma palavra: conectividade.

1. O que são exatamente as novas tecnologias que estão sendo aplicadas

na educação?

Quando falamos de novas tecnologias fazemos referência, principalmente, àquelas

digitais. Hoje, sabemos que a tendência é de que haja uma convergência de

tecnologias e mídias para um único dispositivo. O essencial é que este dispositivo

possua ferramentas de produção colaborativa de conhecimento, de busca de

informações atualizadas. Isso possibilita uma comunicação multidirecional, na qual

todos são autores do processo ou, pelo menos, têm potencial para ser.

2. Quando surgiu a discussão sobre esse assunto?

O primeiro projeto público surgiu no Brasil em meados da década de 1980. Era o

EDUCOM, um projeto de pesquisa desenvolvido em conjunto por cinco

universidades públicas que se dedicaram à produção de softwares, formação de

educadores e desenvolvimento de projetos pilotos nas escolas.

3. Há uma certa polêmica em torno do uso das tecnologias em sala de aula.

Afinal, os efeitos são positivos ou negativos para o desempenho dos

alunos?

Vivemos numa sociedade informatizada. Não podemos negar o contato com a

tecnologia justamente para a população menos favorecida que, em geral, só teria

condições de acessá-la no ambiente escolar. Pesquisas mostram resultados

promissores quando as tecnologias de informação e comunicação (TICs) são

utilizadas de forma adequada, que oriente o uso para a aprendizagem, o exercício

da autoria e o desenvolvimento de produções em grupo.

4. Como elas devem ser usadas do ponto de vista pedagógico?

As novas tecnologias podem ser usadas de diferentes maneiras, mas podem trazer

soluções mais eficazes em projetos que envolvem a participação ativa dos alunos,

como em atividades de resolução de problemas, na produção conjunta de textos e

no desenvolvimento de projetos. O fundamental nessas tarefas é fazer com que os

alunos utilizem a tecnologia para: chegar até as informações que são úteis nos seus

projetos de estudo, desenvolver a criatividade, a co-autoria e senso crítico.

5. Na era da tecnologia, como serão as salas de aula do futuro?

A primeira mudança é a expansão do espaço e do tempo. Rompe-se com o

isolamento da escola entre quatro paredes e em horários fixos das aulas. Teremos

a escola no mundo e o mundo na escola. Isso, porque o conhecimento não se

produz só na escola, mas também na vida – numa empresa, num museu, num

parque de diversões, no meio familiar. Tais espaços poderão se integrar com as

práticas escolares e provocarão uma revisão no conceito de escola e de currículo.

Os equipamentos serão bem diferentes, estarão disponíveis em qualquer lugar,

talvez nem tenhamos que carregá-los. A conectividade é que vai nos acompanhar

em todos os lugares.

6. Quais serão as principais ferramentas dos professores? Que tipo de

recurso já está sendo utilizado?

Já temos uma série de instrumentos sendo utilizados pelos professores. Os blogs,

por exemplo, são bastante disseminados entre os docentes. O WiKi, que é um

programa virtual de produção colaborativa de textos, também. Entretanto há outros

recursos, como simuladores que permitem visualizar fenômenos da natureza ou do

corpo humano que não teríamos condições de acompanhar se não fosse

virtualmente; os simuladores propiciam também compreender o significado de

funções matemáticas abstratas por meio de testes de hipóteses e da representação

gráfica instantânea.

7. A senhora pesquisou a política de outros paises em relação à aplicação

das TICs na educação. Como o Brasil se posiciona em relação a países

como Estados Unidos e Portugal?

Atualmente, há uma convergência das experiências em diversos países. Os

computadores portáteis, por exemplo, estão sendo testados em todo o mundo,

simultaneamente: tanto em países da América Latina, quanto da África, da Europa.

O problema, no entanto, não é a disponibilidade das tecnologias e sim a formação

de professores para utilizar as TICs. Outro problema que também se evidencia em

todos os países é a concepção de currículo. Precisamos superar a idéia do currículo

prescrito como lista de tópicos de conteúdo. O currículo deve ser construído

integrando o que emerge da própria relação cotidiana entre professores e alunos.

Muitas vezes, os currículos não abordam habilidades e competências que precisam

ser desenvolvidas. Quando se trabalha com o registro de uma atividade num blog,

por exemplo, os alunos desenvolvem um projeto pelo computador, que tem o seu

desenvolvimento registrado e, assim, é possível identificar diferentes dimensões do

currículo que foram trabalhadas no projeto, o que vai muito além do currículo

prescrito.

8. O que está sendo feito hoje em termos de formação de professores?

Em primeiro lugar, no Brasil, todos os programas voltados para TICs na educação

têm essa preocupação de capacitar os professores. Mais do que permitir o acesso à

tecnologia, os programas trabalham a preparação dos educadores. E isso é uma

questão de longo prazo, porque a formação se dá ao longo da vida, tem que ser

continuada e voltada para a própria prática. Além disso, temos hoje várias

pesquisas sendo desenvolvidas nesta área e o Brasil se destaca por ter um projeto

de tecnologias na educação que integra a formação de educadores, a prática de uso

de tecnologias e a pesquisa científica.

Comentários»

1. Adriani Santos Moreira - março 10, 2009

De acordo com o texto, ficou claro a importância da tecnologia na sala de aula, na qual tem de ser bem desenvolvida, para assim, proporcionar aos alunos mais acesso as informação e aprendizagem. Sendo que o Brasil, se comparado com outros países (Estados Unidos), deixa muito a desejar quanto ao uso deste sistema de aprendizagem. São poucas as escolas que já estão desenvolvendo projetos neste sentido.
É gratificante saber que estamos no caminho, pelo uso do blog, como citado pela autora; que é uma das ferramentas que podem ser acessadas fora do período escolar. E que possui uma proposta de pesquisa e leitura muito importante para nossa formação.

2. Mona Malaquias - março 10, 2009

Bom o texto diz que a tecnologia existem de varias formas e está
sendo utilizada cada vez mais nas escolas….
porém não posso deixar de comentar que essas tecnologias
ainda está em dificil acesso para alunos do interior,e principalmente de escolas publicas!!!!

3. Juceli Spaduto - março 10, 2009

A autora deixa claro que a mídia é muito importante, é um caminho novo a ser percorrido, sendo que para isso, temos que nos aperfeiçoar no assunto.
Este blog por exemplo é a evolução das tecnologias da mídia, e nem por isso, substituirá o método tradicional. O mais importante é o conhecimento do ser humano que se sobresairá as máquinas, e que sem ele as máquinas não poderão trabalhar.
Nós professores que temos que procurar os novos conhecimentos para passar aos nosssos alunos.


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